Dança e Religião

Desde os tempos mais remotos, vemos a arte e a religião se entrelaçarem.

Segundo BOURCIER (2006), a figura cientificamente comprovada de um homem dançando tem 14.000 anos.

Em seu livro “História da Dança no Ocidente”, vai mais além, explicando que inicialmente a dança tinha um caráter ritual:

“Na época paleolítica o homem é um predador. Sua sobrevivência humana está ligada aos animais – carne e gordura para alimentação, peles para as vestimentas, ossos e chifres para os instrumentos. Dessa forma, as danças só poderiam estar ligadas aos animais. Algumas evidências levam a supor que na pré-história os homens cultuavam os animais. Não se pode excluir também, a existência de uma dança religiosa, porém nenhum documento atesta expressamente o fato”. (BOURCIER, 2006, s.n.)

No neolítico, os homens passam a organizarem-se em grupos, de forma que cada grupo terá suas danças fixas.

Posterior a esse período há uma mudança no sentido da dança, da identificação com o espírito conseguida pelo giro, passa-se a uma liturgia, a um culto de relação e não mais de participação, a um rito cívico, porque integrado à vida da cidade e comandado por ela.

            O Egito praticou amplamente a dança. Da época neolítica ao ano 30 antes da nossa era, praticou a dança sagrada, a litúrgica, principalmente a funerária e posteriormente a dança de recreação.

            Entre os hebreus a dança têm um caráter paralitúrgico: não inscrita no ritual das celebrações, parece ser abandonada à espontaneidade da multidão, no entanto, é praticada num contexto religioso. Seu conteúdo é vago e seus esquemas se inscrevem em limites rígidos: rodas, fileiras, giros. É praticada sem máscara devido a interditos religiosos. Apresenta um caráter excepcional: conservou sua função religiosa – o povo hebreu é o único a não ter transformado sua dança em arte.

            Há pontos em comum entre as danças realizadas por diferentes povos, em diferentes lugares e, às vezes separadas por séculos de distância, o que nos causa um certo espanto. Fica-nos a interrogação se essas convergências não demonstrariam a existência de um patrimônio cultural comum a toda humanidade. No entanto, a ausência de documentação suficientemente ampla e datada nos impede de afirmar qualquer coisa.

No decorrer dos séculos a dança vem acompanhamento o desenvolvimento do pensamento humano e sendo reflexo de filosofias vigentes e da sociedade em que estava inserida.

Na Idade Média, há um rompimento da igreja com a dança, embora continuasse a existir no âmbito popular, vindo ao Ocidente apenas como forma de divertimento – a única que temos conhecido até hoje. Talvez por isso, quando se fala de dança dentro de igrejas, templos e centros espíritas na atualidade, isso provoque ainda tamanha estranheza, entre os ouvintes.

Em pleno século XXI temos visto no seio de várias escolas religiosas, com muita alegria, a dança e outras linguagens artísticas em meio a celebrações, promovendo transformações em quem faz arte e em quem assiste.

Em nossas várias leituras sobre a dança no contexto de várias religiões, vemos descrições belíssimas, comoventes da dança se fazendo oração e se plasmando no corpo em forma de beleza, em imagens de esperança e alegria, nos novos candidatos ao ministério do Cristo – cujo Evangelho, tentam esculpir no altar do próprio coração.

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